Terça- feira, 31 de maio, onze horas da noite, esta tão frio lá fora que vontade que dá de ficar debaixo das cobertas, mas eu não vou ficar, eu vou pra rua aquecer aqueles que precisam, e realmente, eles precisam.
Sai daquele salão quentinho, ah que frio, uma blusa não é suficiente para me aquecer do frio, mas vamos à luta rs.
Chegamos ao nosso destino, praça da sé, por onde quer que eu olhe tem uma pessoa toda enrolada em cobertas e finas encima de papelões, me dá um aperto no coração e ao mesmo tempo uma revolta muito grande, mas enfim, fomos lá falar com as pessoas, falei com um rapaz que ele veio da Bahia há três semanas, ai eu pergunto, porque ele veio, será que a vida tava pior lá? É difícil de acreditar, afinal, ele esta dormindo em uma praça. Conversamos com outro que esta aqui em São Paulo há três meses, disse que sua família na Bahia tem dinheiro, mas não tem como ele voltar, e ele dizia muito que quer morrer, eu sinceramente não entendo o porquê dele ter acabado na rua com um desejo tão grande de morrer sendo que um dia ele teve uma casa, uma família e tudo mais.
Ali naquela praça nós tentamos oferecer uma noite mais quente e melhor àquelas pessoas que ali estavam (por mais que eu ache difícil), levamos sopa, roupas e cobertas, talvez aquela sopa foi a única refeição de muitos ali.
No meio de tanta gente eu vi uma mãe e seu filho, um bebê que devia ter apenas dois anos, aquilo com certeza cortou o meu coração, uma criança que nem sabe o porque estar ali, ele nem pediu pra vir ao mundo e já esta ali naquela praça passando por tantas necessidades, ah meu Deus é um anjo, nem sabe das coisas da vida. Um pouco mais tarde eu vi um menino que devia ter aproximadamente uns doze anos, cadê a mãe dele, a família, porque ele não ta com a família dele?
Havia uma mulher lá que nem parecia moradora de rua, ela é formada, um dia ela teve condições, o que aconteceu com ela? É difícil de acreditar que ela esta ali.
Hora de ir embora, são tantas as perguntas que quase não cabem dentro da minha cabeça, porque aquelas pessoas estão ali vivendo naquela situação, um dia elas tiveram uma casa, uma cama e comida quentinha, tinham onde tomar um banho, e porque agora elas estão vivendo nessa vida desgraçada? Eu sinceramente não entendo, ou melhor, entendo sim, quem faz isso com essas pessoas é o diabo, é isso que ele faz, ele humilha as pessoas, acaba com a vida, com a felicidade, com a paz e a dignidade das pessoas. Cheguei em casa, antes de dormir ajoelhei no pé da minha cama e eu não conseguia pedir por mim, só me vinham àquelas pessoas na minha mente, não me conformo daquelas pessoas estarem vivendo daquela forma, passando fome, frio, sem paz e com tanta tristeza, que Deus tenha misericórdia delas, falta Jesus em suas vidas.
“Nós só chegamos ao fundo do poço quando temos um encontro com Deus, enquanto não temos o encontro o poço fica sem fundo e nós continuamos caindo.”
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